Sobre Nós

A PRG-6 – Rádio Sociedade Mantiqueira foi fundada Guilherme Turner, um comerciante e empresário, descendente de ingleses. O pioneiro na radiodifusão em Cruzeiro visitava a rádio constantemente, conversava com todos e buscava informações sobre o ambiente diferenciado de 1934, marcando o seu nome na história da cidade pela iniciativa.
 
Era sempre recebido com distinção no prédio da esquina da então Avenida Albuquerque Lins, (hoje Avenida Nesralla Rubez) com a Rua Major Hermógenes. Atrás dele, naqueles anos 70 ramificada em outra mais antiga, em 1919, no Recife, com a Rádio Clube de Pernambuco e, a seguir, em 1923, com as inaugurações da PRA-2-Rádio Sociedade do Rio de Janeiro e da PRA-E – Sociedade Rádio Educadora Paulista.
 
De 1924 a 1933, ano em que a Mantiqueira entrou no ar em caráter experimental, surgiram muitas emissoras nas capitais e no interior. Em 1929, as emissoras de São Paulo passaram a ser identificadas como PR’s. Esse período experimental durou até 1937, quando a emissora deu início às suas emissões em caráter definitivo, com o indicativo de chamada PRG-6, ou seja, a sexta estação na denominação de PRG. No mesmo ano foram inauguradas as Rádios Bandeirantes e Tupi, as três um ano mais antigas que a Rádio Globo.
 
História
 
A Rádio Sociedade Mantiqueira foi criada por Guilherme Turner, com a colaboração de Olívio Nicoli e Vitor Barelli. Iniciativa arrojada e de grande repercussão popular, apesar das precárias condições técnicas da época.
 
A PRG-6 iniciou suas atividades em caráter experimental no dia 14 de junho de 1934, coincidindo com a inauguração do monumento em homenagem ao cinquentenário da Rede Sul Mineira, na Rua Engº Antonio Penido (centro). Nicoli e Barelli eram os técnicos e operadores de áudio, levando a programação, basicamente musical, aos poucos receptores existentes no município. O alcance da emissora era limitadíssimo e poucos acompanharam as primeiras transmissões.
 
Guilherme, proprietário da primeira revendedora de rádios na cidade, a Casa Turner, teve o apoio do Dr. Melitão José de Castro Souza, diretor da Rede Sul Mineira (ferrovia), para materializar seu sonho. Foi ele o doador da torre de transmissão de som e a primeira sede foi um modesto prédio na esquina das Ruas Dom Bosco (Rua 9) e Major Hermógenes, próximo a Santa Casa. O escritor e poeta lavrinhense, Vasco de Castro Lima, foi o primeiro locutor e, mais tarde, já nacionalmente conhecido, disse que a iniciativa de Guilherme Turner e seus auxiliares Nicoli e Barelli foram “atos de bravura e pioneirismo”.
 
Cantores locais e de outras cidades participavam dos programas de auditório, atração já comum nos grandes centros urbanos. Em meio às limitações que impunham a improvisação, esses programas reuniam nomes de grande popularidade: Vicentina Zamponi, Catarino, Euzébio Lico, Aldinha, Sebastião Pinto, Guilherme Fernandes, Bechara Boueri, Alayde Pinheiro, Ariovaldo Reis, Choca, Pompeu Lorenzo, Laércio Flores, Coca, José Thomaz, Lazinho, José Campos, entre outros consagrados cantores, músicos e locutores – cujas vozes se perpetuaram na história da radiofonia.
 
Os familiares dos médicos Mário da Silva Pinto e José Diogo Bastos (políticos de grande expressão) frequentavam o estúdio da PRG-6 e participavam das atividades artísticas. O então locutor, Vasco de Castro Lima, passou a ter a companhia de João Marcondes de Castro e do professor Abrão Benjamin. Aos poucos foram vencendo a resistência dos moradores, que ainda se mostravam céticos acerca do “sonho” de Turner, Nicoli e Barelli.
 
Concessão
 
A concessão e autorização para o funcionamento legal da Rádio Sociedade Mantiqueira chegou em 24 de agosto de 1936. Em 1937, Olívio Nicoli, entusiasmado e apaixonado pela radiodifusão, convenceu o comerciante Romualdo Canevari, seu sogro, a comprar a PRG-6, tornando-a emissora comercial.
 
À Nicoli faltava recursos, todavia, era pródigo em idéias. Sonhava em levar o som mais longe, invadindo as cidades da região. E, para tanto, não mediu esforços. O sogro construiu o prédio da emissora na Rua Albuquerque Lins (atual Avenida Dep. Nesralla Rubez), esquina com a Rua Major Hermógenes. Transferida em 1938 para o endereço, a Mantiqueira ali funcionou por muitos anos, revelando talentos e marcando época com seus concorridos programas de auditório.
 
A potência da emissora foi ampliada por Nicoli e Canevari com a compra de um transmissor de 500 watts, levando as ondas à região. Em 1940, mais investimentos e mudança da sintonia do canal para 640 kilociclos.
 
Eram raros os profissionais de rádio e os equipamentos precários, motivo da emissora funcionar somente das 9 às 13 horas e das 14 horas às 21 horas. O locutor Bechara Boueri era o responsável pelos departamentos artístico e comercial, com a colaboração de Carlos Borromeu de Andrade (historiador), Amaral Matos e Maria Valbene, famosa na época como “Duca Ferreira”.
 
O futebol e o sonho
 
A partir de 1948 os descendentes de Canevari e Nicoli prosseguiram com o trabalho, apesar das imensas dificuldades. A potência passou de 500 para 1.000 watts. Programas como “Gotas de Luz” e “GBT em Marcha” marcaram o final da década de 40 e os anos 50, quando surgiram nomes importantes como Carlos Coelho, Getúlio Machado, Edwaldo Rebelo, Roberto Guarany, Paulo César, Messias Pereira, Reinaldo César, Roberto Guarani, Almeida Júnior, Aurora Mota, Pedro Gussen, Jaime Ribeiro e Pedro Ribeiro.
 
Desafiando as limitações técnicas e os poucos equipamentos de que dispunham, os funcionários tomaram uma histórica decisão, a princípio considerada loucura: transmitir o jogo entre Brasil e Uruguai, direto do Maracanã, no Rio de Janeiro, válido pela final da Copa do Mundo de 1950. O Brasil perdeu, mas em meio ao olhar perplexo de milhares de torcedores, Roberto Guarany, Carlos Coelho e Edwaldo Rebello comemoravam o grande feito da emissora. Tinham entrado para a história do rádio valeparaibano pela audaciosa façanha. Nem mesmo sabiam se o som estava chegando a Cruzeiro. O retorno era difícil e chegou a contar-se que o operador que deveria cuidar disso se entusiasmou com o ambiente, tomou umas a mais e… foi dormir!
 
O esporte e o jornalismo ganharam impulso na década de 50 com Getúlio Machado, um dos mais importantes nomes da Mantiqueira em todos os tempos, criador dos boletins noticiosos e responsável pela cobertura dos carnavais nos clubes e nas ruas, eleições e debates políticos entre os médicos José Diogo Bastos e Avelino Júnior, líderes da política local. No final da década de 50 os programas de auditório começaram a perder força, passando a ser gravados. Assim, a utilização dos discos lançados no mercado fonográfico ocupou maior espaço na programação, com muita repercussão.
 
Redentoristas
 
Em 1960, a Rádio Mantiqueira foi vendida para a Fundação Nossa Senhora Aparecida, que aprimorou a programação, adquirindo equipamentos que tornaram fizeram a emissora ainda mais presente no sul de Minas e no Vale do Paraíba fluminense. Seu primeiro diretor no período foi o padre Rubens Leme Galvão, que Estruturou a programação e o quadro de funcionários, além de reformar o prédio da Rua Albuquerque Lins. A nova programação contava com a transmissão conjunta com a Rádio Aparecida de “Os ponteiros apontam para o infinito”, com o famoso e venerado padre Vitor Coelho de Almeida, ouvido diariamente em todo o país.
 
Trazido pela Fundação, Carlos Marques de Oliveira construiu um palco para programas de auditório. Apesar das dimensões limitadas, a sala de espetáculos abrigou grandes nomes da música popular e deixou saudade.
 
Os anos 60 foram dos mais movimentados nas dependências da Rádio Mantiqueira, com constantes modificações determinadas pela Fundação, que priorizava programas culturais, educativos e religiosos, além de trazer nova característica ao jornalismo e aos programas de entretenimento. Marcaram época atrações como “Dominguinho”, “Cartas de Amor”(escritas por Raul Cesar, pai do ator e apresentador Cesar Filho, com interpretação de Décio Luiz, uma das melhores vozes que passaram pelos microfones da antiga PRG-6), “O Craque e a Música”, “O Mundo em Seu Lar”, “Mantiqueira nos Esportes” (mais tarde rebatizado de “Brahma, a Dona da Bola”), “Música na Intimidade”, “Museu do Disco”, “Tangos Inesquecíveis”, “Música e Romance”, “Seu Criado Popular”,“A Noite, Você e a Música” e o informativo “Atualidades”.
 
Toda a programação era apresentada ao vivo, inclusive a noturna. A emissora também contava com programas especiais, que chegavam gravados em discos LP, como “Canadá Tem Folclore”, enviado pelos órgãos de divulgação do governo canadense. E a música sertaneja tinha especial destaque na programação, com o “Ranchinho do Nhô Cunha” e as caravanas que levavam o “cast” da emissora a excursionar pela região, apresentando-se em cinemas e circos mambembes. O público pagava ingressos para conhecer a equipe da Mantiqueira.
 
Talentoso, Luiz Carlos Bruno Pinheiro, professor e antigo músico da banda “Big Night”, assumiu a gerência, na qual ficou de 1962 a 1969, excetuando-se o período em que foi transferido para a Rádio Aparecida. Compositor, músico, pintor, jornalista, radialista e seresteiro, Luiz Pinheiro foi o pioneiro nas transmissões da sessão da Câmara Municipal. O programa, criado e editado por ele, chamava-se “A Voz da Edilidade”, transmitido do antigo prédio do Legislativo, onde hoje funciona o gabinete do Chefe do Executivo. Ele próprio, ao lado de Demétrio Costa, Araújo Quintanilha, Lino Costa (técnico), Evando Machado (então iniciante na radiofonia, revezando-se entre redação, técnica e reportagens esportivas), além de outros profissionais e colaboradores, transmitiu as sessões em um pequeno espaço do auditório. Valendo-se da sua experiência, carisma e do grande conhecimento dos assuntos da comunidade, Luiz Pinheiro acabou, mais tarde, sendo eleito vereador e presidente da Câmara Municipal.
 
A Rádio Mantiqueira, então a única emissora da cidade e uma das poucas da região, destacou-se na década de 60 pelas inúmeras campanhas filantrópicas, entre as quais a dos “Flagelados da Guanabara”, em 1965. Mais tarde, já na década de 80, essa preocupação com o social iria se repetir com o apoio dado à campanha do Rotary Club Cruzeiro em prol dos flagelados da seca de Icó, no Ceará, bem como em todas as outras que se seguiram. Outro segmento que teve espaço na emissora na década de 60 foi o estudantil, com a disponibilização para apresentação de um programa da União Cruzeirense de estudantes.
 
Esportista nato, Luiz Pinheiro apoiou integralmente o Campeonato Amador de Futebol, promovendo as transmissões de jogos e de todas as competições esportivas da cidade. Assim, ensejou o surgimento de profissionais do rádio esportivo, como Araújo Quintanilha, Ênio Virla, Freitas Júnior, Zeca Junqueira, Carlos Cirineu, Evando Machado e Hamilton Galhano que, mais tarde, tornou-se um dos mais conhecidos e festejados narradores esportivos na capital do estado, passando por várias emissoras. E do saudoso e talentoso Roberto Gomes de Carvalho, cujo programa “Últimas do Esporte” era o grande atrativo dos fins de noite cruzeirenses, programa este que também contou com as participações do ex-vereador Marcelo Marcondes e do ex-funcionário da Câmara Aldir Giglio.
 
Durante a gestão de Luiz Pinheiro, os programas de jornalismo e de variedades tiveram grande impacto na programação. “Roda Viva”, produzido e apresentado por Jaime Ribeiro da Silva, atravessou o tempo, tornando-se o mais duradouro da emissora, somente deixando de ser apresentado em 2014. Já no final da gestão de Luiz, em 1969, também foi lançado o “Jornal Verdade”, idealizado, produzido e apresentado durante anos pelo jornalista Evando de Souza Machado, possivelmente o mais ou um dos mais antigos programas jornalísticos do rádio interiorano, com 45 anos de emissões ininterruptas. No início o programa era apresentado em duas audições, na hora do almoço e no começo da tarde, depois passando definitivamente a ocupar o horário das 12 horas.
 
O futebol e o Futsal locais, mais conhecido como Futebol de Salão na época, eram grandes atrativos pela rivalidade entre os clubes e pela qualidade de jogadores como Machadinho, Joãozinho da Bola, Sagui, Pedro Bala e outros. A equipe Mantiqueira transmitia tudo! Futebol, corrida pedestres e de bicicleta, motocross, boxe (na quadra do estádio) e até luta livre, como aconteceu na inauguração de Auto-Agrícola Vale do Paraíba com a presença das estrelas desse esporte na época(Ted Boy Marino, Fantomas, etc.), além de eventos religiosos(missas, procissões e novenas), tanto em Cruzeiro como em Aparecida, sempre em cadeia com a Rádio Aparecida.
 
Além das transmissões de bailes e desfiles de carnaval, em todos os lugares onde estivesse acontecendo um evento havia um profissional da Rádio Mantiqueira cobrindo, muitas vezes transmitindo ao vivo. Outros exemplos eram os Torneios Inícios, no estádio Municipal, que começavam às 8 da manhã e se estendiam até 8 ou 9 horas da noite, com os narradores e repórteres se revezando. E tudo isso em meio à precariedade de equipamentos. Não existia por aqui o sistema de link, então a fiação entre a emissora e o campo ou outros locais de transmissão era afixada em postes. Às vésperas das competições, a equipe tinha que sair com escadas, de poste em poste, verificando os fios e suas emendas. Tempos difíceis, porém, saudosos e compensadores!
 
O bom desempenho de Luiz Pinheiro chamou a atenção dos padres redentoristas, que o levaram para Aparecida, em 1963, onde assumiu o cargo de Diretor Artístico da Rádio Aparecida. Foi substituído pelo radialista Alves da Silva, profissional famoso, de voz bonita e muita visão, com passagem pelo rádio paulistano. Alves empreendeu grandes esforços para a modernização da emissora.
 
Depois de um tempo em Aparecida, Luiz Pinheiro retornou a Cruzeiro, permanecendo até 1969. Em 1966 fez grande sucesso com o debate que promoveu entre os deputados Nesralla Rubez e Avelino Júnior, as principais lideranças políticas, conseguindo audiência recorde, até então, em toda região. Outra marca do radialista na emissora foi o lançamento do “Esquema 640”, uma programação moderna e surpreendentemente inovadora, com programas que garantiam grandes audiências. Por várias e várias noites, a equipe de locutores se deslocava para os estúdios da Rádio Aparecida, onde eram gravadas as aberturas produzidas por Luiz em fitas magnéticas. O “Esquema 640” foi de fato um estrondoso sucesso na época e até hoje influencia na programação.
 
Machado Sobrinho (egresso do Serviço de Alto-Falante da Praça Nove de Julho e durante muitos anos um dos nomes mais famosos e queridos do rádio do Vale do Paraíba), Décio Luiz, Pedro Leite, os locutores da Rádio Aparecida de lindas vozes, Percy Lacerda, Itahir Turíbio, Noronha, Demétrio Costa, Alves da Silva, Aurora Mora, Luiza Matos são nomes que marcaram época através do microfone da Rádio Mantiqueira e que merecem ser lembrados sempre.
 
Quando Luiz Pinheiro deixou a emissora, foi substituído pelo radialista Nelson Baracho, de Guaratinguetá, que acabara de deixar o rádio da capital. Experiente e inteligente, investiu em programas que revelaram talentos, como os inesquecíveis “shows de calouros”, produzidos por Wilson Marques e apresentados por Demétrio Costa no auditório que funcionava no pavimento superior do prédio da Nesralla Rubez com Major Hermógenes, mais tarde sede do Rotary Club. O corpo de jurados era formado por personalidades de Cruzeiro.
 
A passagem de Baracho por Cruzeiro (cerca de 2 anos) não se limitou-se aos programas de estúdio. A equipe de transmissão externa tinha seu irrestrito apoio. E graças ao apoio que também recebia da Rádio Aparecida, trazia equipamentos dos mais modernos para a época, proporcionando condições para as externas. Desde que patrocinados, qualquer evento era transmitido. E isso com a ajuda de muitos colaboradores que, sem ganhar um centavo, vestiam a camisa da Rádio Mantiqueira com muito amor.
 
Nelson Baracho deixou Cruzeiro e retornou a Guaratinguetá em 1973, sendo substituído por Adelino Carneiro da Silva. A emissora já enfrentava uma difícil crise financeira e o novo gerente pouco pôde fazer para inovar. Veio de São Paulo, não tinha grande experiência, porém, tentou fazer algo novo, como incentivar transmissões externas de eventos artísticos e sociais. Todos tentaram ajudá-lo, sem sucesso. Fez com que Evando Machado acumulasse a responsabilidade pela secretaria e, apesar dos frequentes alertas acerca da situação cada vez mais difícil das finanças, não se mostrava disposto a promover mudanças na sua maneira de dirigir.
 
A situação chegou a um ponto que os funcionários decidiram ir a Aparecida pedir sua substituição. E foi então que ocorreu um fato extraordinário: Comprovando ser pessoa de boa índole, ao ser informado pela equipe da decisão, reconheceu as razões e aceitou de bom grado, indo além: colocou uma condução à disposição dos funcionários para a viagem. Dias depois, o diretor, padre Orlando Gambi, promoveu reunião com a equipe e pediu que os próprios funcionários indicassem em seu meio alguém para assumir a gerência. Partiu de Machado Sobrinho a indicação de Evando Machado, que aceitou em caráter provisório e pelo tempo necessário à indicação de outro nome.
 
A Fundação reduziu os investimentos que fazia para cobrir os prejuízos mensais, assim como o empréstimo e cessão de equipamentos, daí resultando o aprofundamento da crise econômico-financeira. Decorrido pouco tempo, o gerente provisório informou aos colegas a não pretensão de continuar, pedindo ao diretor rapidez na indicação de um gerente definitivo. A pedido do padre Orlando Gambi, foi sugerido o nome de José Vitor Dutra, que trabalhava no almoxarifado da Rádio Aparecida e sempre acompanhava o diretor em suas visitas a Cruzeiro. Nas vindas à cidade, sempre demonstrara interesse pelo funcionamento, motivo pelo qual seu nome foi lembrado.
 
Assim começou a fase de José Victor Dutra na Rádio Mantiqueira. E que, na opinião de radialistas da época, foi o gerente que mais conseguiu investimentos para a emissora. Foi o responsável pelas mudanças na área administrativa. Com um terreno que havia sido comprado na gestão de Luiz Pinheiro, instalou o novo transmissor, organizou o cadastramento na discoteca, reestruturou os setores técnico, de áudio e de gravação.
 
A Fundação Nossa Senhora Aparecida instalou um transmissor de 5.000 quilowatts no sistema AM e transferiu suas torres para um terreno adquirido na Estrada Cruzeiro/Pinheiros. Os transmissores, antigamente, situavam-se próximos ao Campo do Gama, na Vila Regina Célia. Neste mesmo período, o gerente Dutra fez a mudança do prédio da rádio para o Edifício Premiada, na Avenida Nesralla Rubez, nº 353 (centro), antiga sede social do Brasil FC.
 
Dutra comandou pessoalmente a instalação da nova torre, que melhorou a qualidade de som e aumentou o alcance das emissões. Em 1980, enquanto planejava a programação do AM, recebeu “carta branca” dos padres redentoristas para providenciar a instalação do sistema FM (Frequência Modulada), que culminou com a concessão do Ministério das Comunicações. A nova emissora logo conquistou seu espaço na cidade e na região, com a direção esmerando-se por oferecer uma programação de boa qualidade e toda gravada. Com o tempo, foi permitida, pela primeira vez, a locução ao vivo no sistema FM e os programas, a partir de então, ganharam mais dinamismo e interatividade. Dois nomes despontaram com a FM: Márcio Martins e Alberto Cotrim, o primeiro transferiu-se depois para a TV Educativa do Rio de Janeiro e o segundo formou-se advogado em Taubaté, onde se radicou.
 
Jair Batista de Oliveira, o “Jajá”, deixou a área técnica de uma emissora da capital e substituiu com seu “Ranchinho do Jajá” por muitos anos o “Rancho do Nhô Cunha”. Logo a seguir outro nome do rádio mineiro passou a fazer sucesso: Nery Diniz, comunicador de larga experiência. Paulo Antônio de Carvalho também surgiu na gestão de Dutra, realizou bons trabalhos, mais tarde formando-se jornalista. Outro nome de destaque foi o do apresentador José Edson que, após começar como operador de som, tornou-se voz conhecida em toda a região. Também deve ser destacado de forma especial Reinaldo Costa, locutor e narrador esportivo que, depois de passar por Mato Grosso (Campo Grande) integrou a equipe de Osmar Santos (Globo-SP), cobriu cinco Copas do Mundo e se destacou em outras grandes emissoras do rádio esportivo brasileiro com grande destaque.
 
Dutra deu grande apoio às transmissões esportivas, principalmente as do time profissional do Cruzeiro FC nos campeonatos paulistas. Ele sempre criou as melhores condições para o deslocamento da equipe de esportes para os pontos mais distantes do estado de São Paulo, além de dar apoio ao esporte através da emissora. Todos os que atuaram pela equipe de esportes no seu tempo podem atestar a seu favor em termos de apoio.
 
Há que se destacar que a própria história do futebol profissional do Cruzeiro FC e, a seguir, da UCE-União Cruzeirense de Esportes, disputantes de campeonatos da Federação Paulista de Futebol, teve sempre muito a ver com a Rádio Mantiqueira. Foi justamente no programa “Brahma, a dona da bola”, que foi lançada a idéia da volta do Cruzeiro FC ao futebol, que acabou contagiando a população e que, por alguns anos, transformou-se numa verdadeira bandeira da comunidade.
 
Fundação Cruzeirense de Jornalismo e Radiodifusão
 
Com a transferência da Rádio Mantiqueira para a Prefeitura Municipal de Cruzeiro, em 1984, foi criado o Departamento de Radiodifusão do Município de Cruzeiro (DRMC). Dutra ainda ficou algum tempo na gerência da Rádio Mantiqueira, que passou a ter um novo cargo, o de Supervisor de Produção, para o qual foi nomeado o jornalista Evando Machado, até ser extinto com sua saída da emissora para trabalhar em empresa da iniciativa privada. Dutra continuou atuando no DRMC até resolver retornar a Aparecida, sua terra natal, para voltar a um antigo emprego no jornal “Santuário”, sendo substituído por Francisco Onofre de Paula Freitas, músico de grandes idéias e habilidade para criar programas, como o marcante “Coração de Estudante”. Chico Onofre ficou na gerência apenas quatro meses.
 
Pouco tempo depois de afastar-se da emissora, por motivos particulares, morreu tragicamente num acidente na estrada Cruzeiro/Sul de Minas. Irani Lima, radialista taubateano assumiu a gerência por breve tempo, sem que tivesse tido oportunidade de colocar em prática suas idéias ou fizesse quaisquer modificações na administração.
 
Durante todo o período em que a emissora pertenceu à Fundação Nossa Senhora Aparecida, e com o advento da Fundação Cruzeirense de Jornalismo e Radiodifusão, continuou honrando sua tradição de formadora de profissionais. Novos nomes foram surgindo no rádio cruzeirense, uns na própria Rádio Mantiqueira, outros vindos da Rádio Cruzeiro ou de outras cidades, uns como funcionários, outros como grandes colaboradores: Beto Willians, Bisqui, Luiz Eduardo, Reinaldo Cesar, José Edson, Paulo César, Raul Pimpim, João Martinho Uchoas, Eduardo de Carvalho, Rogério Jardim, Paulo de OIiveira, Wilson Donizete, Paulo Antonio, Paulo Santos, Ariovaldo Costa, José Rogério, Rogério Costa, Luiz Fernando, entre outros.
 
Foi permitida, pela primeira vez, a locução ao vivo no sistema FM e os programas, a partir de então, ganharam mais dinamismo e interatividade.
 
A partir de maio de 85, o então presidente da Fundação Cruzeirense de Jornalismo e Radiodifusão, Lamartine Antonio Fiorentini Júnior, indicou o radialista Ariovaldo Costa, que ocupava a chefia de jornalismo, para assumir a gerência. Mais tarde, Ariovaldo Costa foi substituído por Carlos Ricardo da Silva Reimer, ex-diretor municipal de Esportes e Turismo (Detur), que fez uma série de modificações na estrutura administrativa e técnica da Rádio Mantiqueira. Foi responsável pela informatização e pela ampliação do leque de anunciantes. Criou programas e ditou normas internas que ajudaram a emissora a manter a liderança de audiência no Vale do Paraíba. Em 1991 contratou o popular apresentador Antonio Carlos Coelho (falecido em 2014) para comandar o “Jornal das Sete”, que se tornou programa de grande audiência em toda região, além de ser um dos mais rentáveis da emissora.
 
Com Reimer e, a seguir Lamartine Antonio Fiorentini, que o sucedeu na gerência após sua morte, a Mantiqueira passou a participar ativamente de todos os eventos sociais de Cruzeiro e região, apoiando campanhas assistenciais e transmitindo os principais acontecimentos políticos e históricos. Carlos Reimer também afiliou a emissora ao Sistema Globo de Rádio por alguns anos. Atualmente os estúdios das emissoras estão localizados na rua Dom Bosco, 573 – centro de Cruzeiro/SP. Mas, já anteriormente e ao longo de toda sua história, mesmo nos momentos mais críticos da sua vida, a Rádio Mantiqueira nunca deixou de marcar presença nos eventos locais e regionais, assim como em campanhas sociais e filantrópicas.
 
Da mesma forma, jamais deixou de cumprir seu papel de revelar valores ou dar oportunidade aos talentos, aliás, características marcantes dessa casa que se tornou conhecida como uma verdadeira “escola de rádio”. Tanto os gerentes Carlos Marques de Oliveira, Benedito Alves da Silva, Luiz Carlos Bruno Pinheiro, Nelson Baracho, Adelino Carneiro, José Vitor Dutra, Francisco Onofre de Freitas, Irani Lima, Ariovaldo Costa e Luiz Orsi, como os presidentes Tarcísio Batista Teixeira, Orlando Freire de Faria, Lamartine Antonio Fiorentini Junior, Pastor Anairton e Nilcélio Moreira, bem como o atual, Nelson Biondi, jamais se negaram a proporcionar oportunidades para o surgimento de novos talentos que, no meio radiofônico ou fora dele, alcançam sucesso em seus ramos de atividades após adquirirem experiência nos quadros da emissora.
 
Cada qual contribuindo de uma forma ou de outra para a construção da sua bela história, esses homens fizeram com que a antiga PRG-6, criada em 1934, atravessasse marcando sua presença em todos os principais momentos da vida de Cruzeiro e do Vale Histórico. Assim, é que a antiga Rádio Sociedade Mantiqueira, hoje Rádio Mantiqueira AM e FM, fez-se sempre presente com seus microfones em eventos de todos os tipos: clubes sociais, competições esportivas, solenidades cívicas, cerimônias religiosas, programas de auditório, desfiles, bailes e concursos carnavalescos, reportagens policiais e outros.
 
Além da histórica transmissão do jogo Brasil x Uruguai pela final da Copa do Mundo de 1950, o “Maracanaço”, dos inesquecíveis debates políticos entre os chefes políticos da cidade em décadas passadas, em suas diversas fases tiveram destaque os debates políticos entre candidatos a prefeito, promovidos nos últimos anos e acompanhados pela maioria da população, as coberturas das eleições, a campanha por Icó-CE, ajudando no grande sucesso da coleta de alimentos para a cidade nordestina devastada pela seca, cobertura jornalística do “Crime da Foice” na Vila Batista, a busca do escoteiro desaparecido na região de Piquete, os concorridíssimos programas de auditório comandados por Wilson Silva e Nelson Baracho, transmissão dos concursos de Miss São Paulo, Miss Vale do Paraíba e locais, campanha em prol dos flagelados do Rio de Janeiro, cobertura do flagelo provocado pela tromba d’água no Retiro dos Barbosas, Páscoa Nacional dos Radialistas em Aparecida, transmissões esportivas no Maracanã, Pacaembu e Morumbi, apoio e cobertura da participação de Cruzeiro no programa “Cidade contra Cidade” de Silvio Santos, concurso Miss São Paulo no Parque Antártica com a participação da cruzeirense Lourdes Pires como Miss Vale do Paraíba,apoio e incentivo ao “Coral Branco”, o maior grupo promocional de Cruzeiro nos anos 70, transmissão direta de jogos no Rio e São Paulo entrevistas com todos os grandes nomes da política, das artes e do esporte que passaram pela cidade, cobertura das exposições, seminários e cursos, enfim, tudo que aconteceu por aqui sempre mereceu da Rádio Mantiqueira a melhor atenção.
 
Assim é que, nos últimos anos, novos valores vieram dar continuidade ao trabalho, emprestando suas vozes para levar a mensagem da “jovem senhora de 80 anos” aos lares de Cruzeiro e da região. Há muitos nomes além dos já citados que atuaram ou atuam no “cast” da emissora, todos igualmente importantes na construção da sua história: Marcelo de Elias, Nícolas Vieira, Gilberto Gandra, Técia Torres, Jaqueline, Adilson Martins, Dimas Pereira, Sandra Von Becker, Francisca Isabel, Sérgio Antonio, João Palmeira, Alves Junior, Cleiton, Anderson Diogo, Sandro Felipe, Bruno Pelegrini, Luciano Silva, Michael Keller, Pantera, Jorge Luiz Conde, Chicarino, Laudelino Augusto, Sônia Regina, Tânia Eloisa, Mike, João Bosco, João Vieira, Kiko, João Bosco, Julieli Fonseca, Luiza Landroni e muitos outros.
 
A última gerência da Rádio Mantiqueira foi ocupada por Luiz Orsi, que remodelou por completo a discoteca, abrindo mão de grande parte dos discos de vinil e regravou o acervo musical em CD’s, além de investir em informatização e transferir a emissora para o endereço da Rua Dom Bosco, após muitos anos de funcionamento na Avenida Nesralla Rubez. Atualmente, Tarcísio Ezequiel Teixeira, filho do primeiro presidente da Fundação, Dr. Tarcisio Batista Teixeira, ocupa o cargo de Diretor Executivo, tendo como Coordenador e Diretor Artístico Jorge Luiz Conde, estando ambos à frente de um projeto que visa recuperar a estabilidade da emissora e preservar seu lugar de destaque no contexto da comunidade cruzeirense.

AO VIVO

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    O Nosso Santo Bateu

    Matheus e Kauan

OUVINTE 10

É a rádio Mantiqueira que faz meu coração bater mais forte na sua frequência 100,7!!! Rádio Mantiqueira é a melhor das melhores !!!!

Antônio C.